sábado, 18 de março de 2017

SAUDADE


Onde exatamente me larguei?
Em que esquina,
viela,
ponto fraco,
a minha mão 
largou do meu
braço?

Nalgum caixote de bar?
Cama?

Acaso estarreci
nas asperezas
de um bate boca?
E vaguei petrificada
em direção contrária
de mim
- gita
até sumir 
da minha vista?

Depois de chicotear
minha língua em labaredas
contra o muro
de um mundo moco,
recebi de volta
uma pedra entre os olhos
que me esvaziou a memória.

Teria sido assim?

Toda noite choro
com saudades de mim.

Alguém ajuda.
Perdi-me.

Me larguei 
nalguma esquina.

Estou lá esperando.
- Em prantos.

Só sei que não virei sozinha!
Nem trazida.

Só sei que eu só virei
se eu for me buscar.

Que eu me encontre
antes de tudo acabar.

EG

sábado, 21 de junho de 2014

... estranheza de não saber.


Fonte: http://lounge.obviousmag.org/monica_montone/2014/05/-szymborska-a-prova-de-que-as-mulheres-nao-escrevem-somente-sobre-o-amor.html



Sem mais, um poema de Wislawa Szymborska:
Sob uma estrela pequenina
Me desculpe o acaso por chamá-lo necessidade.
Me desculpe a necessidade se ainda assim me engano.
Que a felicidade não se ofenda por tomá-la como minha.
Que os mortos me perdoem por luzirem fracamente na memória.
Me desculpe o tempo pelo tanto de mundo ignorado por segundo.
Me desculpe o amor antigo por sentir o novo como primeiro.
Me perdoem, guerras distantes, por trazer flores para casa.
Me perdoem, feridas abertas, por espetar o dedo.
Me desculpem os que clamam das profundezas pelo disco de minuetos.
Me desculpem a gente nas estações pelo sono das cinco da manhã.
Sinto muito, esperança açulada, se às vezes me rio.
Sinto muito, desertos, se não lhes levo uma colher de água.
E você, falcão, há anos o mesmo, na mesma gaiola,
fitando sem movimento sempre o mesmo ponto,
me absolva, mesmo se você for um pássaro empalhado.
Me desculpe a árvore cortada pelas quatro pernas da mesa.
Me desculpem as grandes perguntas pelas respostas pequenas.
Verdade, não me dê excessiva atenção.
Seriedade, me mostre magnanimidade.
Ature, segredo do ser, se eu puxo os fios das suas vestes.
Não me acuse, alma, por tê-la raramente.
Me desculpe tudo, por não estar em toda parte.
Me desculpem todos, por não saber ser cada um e cada uma.
Sei que, enquanto viver, nada me justifica
já que barro o caminho para mim mesma.
Não me julgues má, fala, por tomar emprestado palavras patéticas,
e depois me esforçar para fazê-las parecer leves.
(imagens: google)


© obvious: http://lounge.obviousmag.org/monica_montone/2014/05/-szymborska-a-prova-de-que-as-mulheres-nao-escrevem-somente-sobre-o-amor.html#ixzz35HXbUjxs 
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Oda a la pobreza


Cuando nací,
pobreza,
me seguiste,
me mirabas
através
de las tablas podridas
por el profundo invierno.
De pronto
eran tus ojos
los que miraban desde los agujeros.
Las goteras,
de noche, repetían
tu nombre y tu apellido
o a veces
el salto quebrado, el traje roto,
los zapatos abiertos,
me advertían.
Allí estabas
acechándome
tus dientes de carcoma,
tus ojos de pantano,
tu lengua gris
que corta
la ropa, la madera,
los huesos y la sangre,
allí estabas
buscándome,
siguiéndome,
desde mi nacimiento
por las calles.

Cuando alquilé una pieza
pequeña, en los suburbios,
sentada en una silla
me esperabas,
o al descorrer las sábanas
en un hotel oscuro,
adolescente,
no encontré la fragancia
de la rosa desnuda,
sino el silbido frío
de tu boca.
Pobreza,
me seguiste
por los cuarteles y los hospitales,
por la paz y la guerra.
Cuando enfermé tocaron
a la puerta:
no era el doctor, entraba
otra vez la pobreza.
Te vi sacar mis muebles
a la calle:
los hombres
los dejaban caer como pedradas.
Tú, con amor horrible,
de un montón de abandono
en medio de la calle y de la lluvia
ibas haciendo
un trono desdentado
y mirando a los pobres
recogías
mi último plato haciéndolo diadema.
Ahora,
pobreza,
yo te sigo.
Como fuiste implacable,
soy implacable.
Junto
a cada pobre
me encontrarás cantando,
bajo
cada sábana
de hospital imposible
encontrarás mi canto.
Te sigo,
pobreza,
te vigilo,
te acerco,
te disparo,
te aislo,
te cerceno las uñas,
te rompo
los dientes que te quedan.
Estoy
en todas partes:
en el océano con los pescadores,
en la mina
los hombres
al limpiarse la frente,
secarse el sudor negro,
encuentran
mis poemas.
Yo salgo cada día
con la obrera textil.
Tengo las manos blancas
de dar pan en las panaderías.
Donde vayas,
pobreza,
mi canto
está cantando,
mi vida
está viviendo,
mi sangre
está luchando.
Derrotaré
tus pálidas banderas
en donde se levanten.
Otros poetas
antaño te llamaron
santa,
veneraron tu capa,
se alimentaron de humo
y desaparecieron.
Yo te desafío,
con duros versos te golpeo el rostro,
te embarco y te destierro.
Yo con otros,
con otros, muchos otros,
te vamos expulsando
de la tierra a la luna
para que allí te quedes
fría y encarcelada
mirando con un ojo
el pan y los racimos
que cubrirá la tierra
de mañana.

Pablo Neruda

quarta-feira, 27 de abril de 2011

mãe é mãe

Sra.Desigualdade, por quanto ainda abandonarás teus incontáveis rebentos à sorte? Ruas, vielas imundas, saco, semáforo, barracos, sacola, córregos e latões? Mosquito e latrinas! Em mãos clandestinas. E por onde diabos anda quem teu lombo espanca e contigo se deita!? Sr.Capital! Esperma omisso e covarde! Na certa o puto tá de desfrute, junto à Soberba-dos-olhos-azuis-que-não-teve-escolha, ó tadinha, com os filhos a salvo, acalentados, rosados, nutridos - tão poucos! Escapam à opção do aborto. Limpo. Seguro. Uma vez bem nascediço, protegidos por obra e graça do senhor dos senhores. Misericordioso... e justo! "Ele sempre sabe o que faz" - e pra quais o faz. Ô ventre desgraçado! Mirai no exemplo de virgem Maria! Louvai, louvai, aceitai teu destino e louvai! Mulher infeliz, vaca desdentada maldita...

Mãe é protetora! Já disse as Casas Bahia.

EG