domingo, 28 de junho de 2009

VÉU



...e tu?
mulher
livre
inteligente,
há uma burca
que te cubra?




há grilhões que te escravizam?



com canudo,
sem canudo,
o que teus
miolos
oprime?





--
“Imaginava que a função social do formol fosse preservar como vivas as coisas mortas que já foram vivas, como os fetos...” *

“Em momento de desafio, cheguei a colocar o dedo no olho de um cadáver imerso num gigantesco tanque de formol até sair o humor aquoso. Neste tanque estavam também alguns órgãos como que desfiados pelo tempo de imersão, posteriormente lembrei deste aspecto graças à tentativa de deixar um figo envelhecer numa garrafa de cachaça. Era o primeiro ambiente impregnado de formol que conheci...” *

--
onde
estão os teus espelhos?




no harem
do teu califa,
fostes hoje
a escolhida?





--
que alcorão
te ilumina?


--
pra qual mesquita
ajoelhas?



tua vagina
ainda assusta?
lança fora
de tuas mãos
essa fruta!
pra todo o sempre
a eva-puta
escuta!
não ouves o soluço
desesperado?
cuida,
mulher
ocidental
moderna...
teus raquíticos
filhos
têm lombrigas,
remelas,
pés descalços,
desnutrição,
pouco caso,
tripas vazias
desamor...

oportunidades?
uma vida?

cancela aí
tuas compras
desmarca pois
o teu salão
larga então
essa panela!

desce!
desse salto
maldito
envenena esse cavalo,
queima por fim
esse véu maculado!
e a grinalda que arrastas...
sai às ruas!
dá teu grito,
fêmea
- liberta (?)
que sangra
em escondido

levanta
teu tacape
- por certo invencível
honra
teus estéreis
surdos ovários
- secos
- oprimidos

pisoteia
tua burca

luta.


perdoa nossa
vergonhosa
ocidentalidade
inútil e de saias,
cara NEDA...

--
EG
--

* trecho extraído do texto "FORMOL, FALSAS PRIMEIRAS IMPRESSÕES" (http://trabalhandor.blogspot.com/2008/12/formol.html)

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